24.4.11

...Ilha de Páscoa .1




                       Que ninguém se espante, mas em uma terrinha de apenas 170 quilômetros quadrados isolada no Pacífico Sul, estão esculturas de faces em pedra vulcânica que repousam lado a lado – como se atuassem como gigantes “carrancas” polinésias. Mas, na verdade, elas estão voltadas para o interior, de costas para o mar, e esbanjam carisma. São os chamados moais. Seiscentos ao todo. Na Ilha de Páscoa.
                       Em cada ponta da ilha triangular, um vulcão. Culpa deles também, o formato: Poike, a leste, com cerca de 3 milhões de anos; Rano Kau, a sudeste, com aproximadamente 1 milhão de anos; e Maunga Terevaka, a norte, cuja erupção há 300 mil anos formou a ilha, juntando os dois cones mais antigo.
                       Por lá, quem recorrer à bússola ficará confuso: campos magnéticos impedem a indicação exata.
                       O nome originário da ilha, em idioma Rapa Nui, é Te Pito o Te Henua, e significa nada mais nem nada menos que "Umbigo do Mundo". De fato, os locais não gostam da palavra pasquense. Eles preferem o termo Rapa Nui e o usam para designar sua língua, a ilha, a si próprios, e a praticamente tudo o que envolve sua cultura. Falam da comida rapanui, da beleza rapanui, da terra rapanui ou deles mesmos, os rapanui.

                       O centrinho da ilha é Hanga Roa, pertinho do Rano Kau, onde está a maioria dos hotéis. Lá, você encontra correio, centro de apoio ao turista, lojinhas de artesanato, mercado, museu, igreja, hospital, bancos e outros serviços. É onde está localizado o aeroporto. Geralmente, o visitante é recebido na ilha com colares de flores e drinks de frutas antes de chegar ao hotel. 
                       Quem vai para lá está mesmo atrás dos moais, as estátuas monolíticas de até 20m de altura, feitas com rocha vulcânica, que ainda hoje desafiam as explicações de arqueólogos e antropólogos. Únicas no mundo, são elas as vedetes de Páscoa.
                       O que ninguém sabe explicar ao certo é como um povo da Idade da Pedra, sem contato com outras culturas ou influências, conseguiu desenvolver tal técnica de criação. Alinhados de costas para o oceano, há cerca de 900 moais espalhados por toda a extensão da ilha, em meio a altares de veneração chamados ahus, plataformas de até 60m de comprimento e 7m de altura que agrupam as esculturas. O maior dos ahus é o Tongariki, com 15 estátuas.
                       Outro ahu interessante é o de Akivi, com cabalísticos sete moais. Dizem que ele possui muita energia e, além desse lado místico-energético, é o único que tem as figuras olhando para o mar.
                       Ah sim, o vulcão Rano Raraku foi o canteiro de obras onde os antigos Rapa Nui realizaram seu trabalho megalítico. De suas paredes saíram as figuras previamente esculpidas, e isso se percebe não só pelos espaços vazios, mas principalmente pelos moais que ainda dormem em suas encostas. Talvez o visitante não fique tão impressionado ao passar ao lado do que há na trilha, mas é bom saber que eles estão enterrados e só vemos sua cabeça. Se quiser ter a visão real de uma figura inteira, há dois que devem ser visitados. O primeiro é um que está do lado direito do vulcão, ainda sem ser arrancado da rocha. O outro, e mais famoso, é o gigante que dorme na encosta leste a poucos metros do anterior, caminhando à esquerda. Tem 23 metros de comprimento, e seu peso é estimado em 400 toneladas.










                       Depois de se maravilhar com as figuras de pedra, é bom descobrir os outros atrativos da ilha. A cratera do vulcão Rano Kau é o lugar mais impressionante, com seu 1,5 quilômetro de diâmetro e seus 200 metros de profundidade. No fundo há centos de lagoas de água doce. No extremo sudoeste da cratera e numa estreitíssima planície se encontra a aldeia cerimonial de Orongo.





                       Merecem uma visita as praias de Anakena ou Ovahe, as únicas de Rapa Nui. A primeira é maior, com areia fina e branca, águas tranquilas, cristalinas e ligeiramente mornas. A pequena baia está protegida por coqueiros e há uma área de piquenique, com mesas e banheiros. É um bom lugar para passar a tarde e, mesmo em alta temporada, a praia nunca fica cheia. Já Ovahe deve ser visitada bem cedinho de manhã, porque o sol bate bem até meio-dia. Depois, a alta parede de rocha vermelha que protege suas costas faz sombra e a pequena prainha perde grande parte de seu encanto. Suas areias são cor de rosa e não é aconselhável tomar banho alem das ondas, por causa da forte ressaca e das muitas rochas ocultas embaixo d´agua. Mas ela vale pelo seu visual. ^^'











                       Um outro ponto para não se perder é a paisagem em 360 graus do Pacifico que permite o monte Terevaka, o mais alto da ilha.




                       E, dentro dos passeios obrigatórios está o pôr-do-sol visto desde o ahu Tahai, perto do povoado de Hanga Roa.






                       Olhando para as lagoas da cratera do vulcão Rano Kau ou mirando a imensidão sem fim do Pacífico, uma coisa é certa: estar em Páscoa é ficar longe de tudo, perto de ninguém e mais próximo de si.